S.O.S. PATRIMÓNIO
Domingo, 20 Abril - 2008 por Manuel A. Fernandes
Supõe-se que desde os primórdios da Pré-História, várias civilizações se instalaram nos vales de Trás-os-Montes deixando suas marcas em vários sítios. Para nos falar de toda esta problemática arqueOlógica, a UTAD convidou o Pe. João Parente para uma conferência intitulada: “O património arqueológico de Vila Real.”
Pela conservação e promoção dos monumentos e património arqueológico da região transmontana se realizou mais uma conferência no complexo pedagógico da UTAD que contou com a presença na sua maior parte de alunos de Letras e docentes. Com a participação do indiscutível perito de Vila Real, sua Ex. o Padre João Parente, ex-director do Museu de Numismática e Arqueologia da cidade, a conferência que se celebrou na segunda feira dia 14 de Abril, invocou algumas das situações pendentes na região a nível da preservação e organização das estruturas arqueológicas, numa conversa que girou muito à volta das experiências pessoais do decano convidado.
De facto, as estórias e mitos da região acabaram por marcar o compasso dessa chuvosa manhã, ao ritmo de um incansável João Parente que auxiliado por alguns slides e documentos históricos foi redescobrindo a Vila Real de outros anos, enfatizando a sua dimensão arqueológica que tem tanto de valiosa como de ignorada. Um pouco mais desolado, ainda houve tempo para tecer algumas considerações sobre o trabalho da Câmara Municipal ao nível da cultura que o conferencista classificou como “sofrível” e “desmotivante” adiantando que “vários monumentos e objectos de assinalável valor histórico estão prostrados ao abandono sob a total passividade das autoridades municipais” destacando o caso recente das três sepulturas antropomórficas na freguesia de Torgueda.
Mas o conferencista não se ficou por aqui, denunciando também as práticas de burla e roubo na zona a Norte do Douro que, segundo o perito, “começam a afectar bastante a integridade do espólio distrital” quer seja vandalizando as peças como vendendo-as em contrabando. Por isso o Padre Parente alerta o município para o combate ao comércio ilícito de arte apelando para uma maior consciência arqueológica que passa pelo reconhecimento e protecção de certas “zonas sensíveis”.
Na parte final, deu-se o habitual exercício de perguntas e respostas que teve na plateia uma reciprocidade bastante positiva quanto à sabedoria do convidado naquelas duas horas de palestra. Mediado pela Pr. Dr. Olinda Santana este evento realizou-se de forma discreta dirigido para um público mais definido e interessado mas que serviu para descortinar algumas dúvidas e meias-verdades acerca do potencial histórico da região. Soube a pouco não obstante a promessa de uma visita guiada pelos caminhos ancestrais da região em finais de Abril. As inscrições estão abertas e podem se fazer na Secretaria de Letras, do Complexo Pedgógico.


