Manuel A. Fernandes
Estudante
fernandesmanuel87@gmail.com
É neste chorrilho de contradicções que reside a ambiguidade do conflito no Tibete. Por outras palavras, a China está-se bem marimbando para a ética ocidental e para purismos ideológicos e filosofias budistas. Modernizaram o seu “comunismo” encapuçando-o de corrector de bolsa. Descobriram a fórmula do sucesso e não pretendem abdicar dela. Nem que para isso seja preciso abalroar um tesouro cultural milenar, património mundial perdido nas largas encostas e cadeias montanhosas Tibetanas.
Numa encruzilhada entre a herança histórica maoísta e a exploração económica do seu capitalismo selvagem. Assim se vê no novo milénio a mais poderosa potência emergente do Globo. Um híbrido implacável pairando entre a rigidez interna dos seus concidadãos e o desrespeito pelas medidas ambientais consagradas em Quioto. O condicionamento dum direito para nós tão banalizado como a liberdade casado com o liberalismo económico ocidental e o favorecimento fiscal dos seus imigrantes não obstante a sua antítese laboral na precariedade do trabalho.
É neste chorrilho de contradicções que reside a ambiguidade do conflito no Tibete. Por outras palavras, a China está-se bem marimbando para a ética ocidental e para purismos ideológicos e filosofias budistas. Modernizaram o seu “comunismo” encapuçando-o de corrector de bolsa. Descobriram a fórmula do sucesso e não pretendem abdicar dela. Nem que para isso seja preciso abalroar um tesouro cultural milenar, património mundial perdido nas largas encostas e cadeias montanhosas Tibetanas. E para a confusão se instalar massivamente nada como apimentar a “coisa” com a organização das Olimpíadas’08.
Quis o Comité Olímpico Internacional (COI), que Beijing (Pequim) fosse a cidade escolhida para acolher os Jogos Olímpicos deste ano. Como já não bastavam os protestos de alguns atletas perante o smog que envolve a cidade com sérios riscos para as performances nas modalidades da maratona e marcha, tinha de vir esta polémica para arruinar as suas pretensões de elegante anfitrião de “baile de gala”. Como sempre, as fraquezas descobrem-se debaixo dos lençóis e esta maçada veio à tona sob a discutível legitimidade Chinesa em cumprir o que estava prometido segundo a égide universal e ética dos Jogos. Este vosso escriba como não tem tento na língua nem pretende prestar contas a blocos de interesse e a acordos partidários (passe a redundância) acusa o Partido Comunista Chinês de genocídio cultural e repressão por uso de força de uma região soberana e com as valências necessárias para se desvincular de qualquer agregação imperial. Não nos esquecamos que esse império infindável que é a República Popular da China teve a sua génese numa confederação de povos, uns subjugados a outros numa galopante conquista de base. E de então até hoje, pouco foi alterado a nível de estratégias geopolíticas consumado que está este desrespeito pelas divisórias fronteiriças e diferenças culturais.
Posto isto, a verdade é que se tentou por este mundo social, democrata, rico e tolerante desvalorizar e, em alturas várias, desvirtuar tais factos. O COI nem sequer ponderou a interrupção dos trabalhos. A ONU safou-se de mansinho e sacudiu a “chuva” para outra capota. Os EUA… bem os States têm mais é do que se preocupar com isto. Até o Comité Olímpico Português já veio mostrar a sua concordância com a gerência. É claro que o princípio da passividade das Nações e Estados Unidos assenta que nem uma luva para não acordar o monstro adormecido. Para quê, preocuparem-se com ninharias? Para quê, reclamarem os nobres ideais Olímpicos? No final, tudo será uma reedição do que se passou anteriormente.
Ou seja, nada de alarmes, nada de boicotes. Bem sabemos porque o Luís Amado não morre de amores por Dalai Lama. A impoluta diplomacia neo-liberal gizada pelos supracitados blocos de interesse tomarão as rédeas à questão. E algumas almas penadas podem pagar o custo dos flashes e das correrias hipócritas com a bendita tocha acesa.



Manel, compreendo perfeitamente o teu sentimento e aplaudo o teu artigo de opinião que é bem ilustrador da presente realidade mas sou da opinião que a linguagem usada não é a mais indicada para fazeres passar a mensagem a um público mais amplo. Não sei e até duvido que seja essa a tua intenção mas creio que ficam mais a perder os que têm dificuldades em perceber o teu artigo do que os mais entendidos e conhecedores de todos os vocábulos que empregas.
De resto ficam os meus votos de que continues a fazer uso deste nosso jornal para expores as tuas ideias e opiniões.
Abraço
Muito obrigado pelo comentário, caro amigo Pedro. O que acabas de escrever vem na realidade (propositadamente ou não) pôr em questão o papel difusor e e condicionante do artigo de opinião num jornal.
É verdade que certas pessoas podem ter algumas dificuldades em decifrar o que escrevi. Porém, eu não posso detalhar informação nem veicular o meu background sobre o assunto, às pessoas que me lêem. Não me é incumbida essa tarefa enquanto cronista de um jornal.
Depois é preciso definir o público alvo. E se nesse ponto convergimos – ao considerar os estudantes da UTAD e utilizadores de blogues como público maioritário – permite-me dizer que não concordo com a tua perspectiva.
Nós, como estudantes universitários, temos a obrigação de evoluir intelectualmente e (no mínimo) ter uma vaga ideia do que nos rodeia. Não estou a falar para octogenários (salvo várias excepções) nem para inergúmenos, estou sim a falar para estudantes no último nível pré-emprego. Estudantes que, se quiseres numa maior proximidade ao nosso curso, estão a apurar a comunicação (social, interpessoal, organizacional etc) e devem ter a obrigação de aprender e não se renderem a facilitismos e comodismos.
Concluindo, não é suposto ser fácil tudo o que fazemos. Ler, escrever, ouvir uma música, aliás já escrevi isso no meu blogue. Eu não escrevo os meus textos de ânimo leve e isso serve também para a review do álbum do Toumani: tive de o escutar de uma ponta á outra, ouvi o anterior, vi o documentário que acompanha a notícia, as suas colaborações.
Acho que não se pode exigir menos a um projecto desta responsabilidade.
E penso que isto também é tangível com alguém lê o blogue.
Repito não é suposto ser fácil, por isso é que gasto o meu tempo aqui e desta forma.
Um abraço e continuem a comentar pessoal.
Permitam-me fazer um pequeno apontamento, não ao conteúdo do documento, mas ao comentário que a escrita deste texto suscitou ao meu amigo Pedro Duro.
Parece-me que a pretensão do autor, o também meu amigo Manuel Fernandes, é que a densidade e a eloquência que ele emprega têm, evidentemente, como destinatário um público restrito e a amplitude que ele pretende dar a esta publicação está naturalmente condicionada à literacia de cada um dos receptores. Isso foge aos domínios de quem escreve!
Não podemos pôr livros nas mãos de quem nos lê,
por conseguinte a estrutura intelectual de cada um é uma plataforma em actual e constante mutação que depende apenas do próprio indivíduo.
Cabe a cada um desenvolvê-la, ficando apenas da parte do autor a disponibilidade para oferecer esses conteúdos, que à priori pretendem incutir nesse público menos instruido um interesse crescente pelas temáticas debatidas, bem como por um tipo de escrita moderna, progressista e dinâmica.
Não vamos condicionar a escrita em função do receptor, mas sim estimular o receptor em função da nossa escrita num “condicionalismo” intelectual sugerido por quem escreve, na perspectiva de enriquecer o receptor.
Um abraço aos dois.